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Mamografia pode salvar vidas

Foto: Pixabay

Amanda Pieranti


Em mais uma edição da Campanha Outubro Rosa, o Jornal Show da Fé ressalta a importância da prevenção do câncer de mama

“Câncer de mama não é sentença de morte. Tem cura”. A afirmativa é do mastologista Marcelo Bello, diretor do Hospital do Câncer III, unidade exclusiva para tratamento dessa enfermidade do Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Rio de Janeiro. Mas ele adverte: “Não pode esmorecer na prevenção, porque, no mundo, é o tipo mais comum entre as mulheres, ou seja, o mais incidente, sendo a quinta principal causa de morte”.

O alerta é bem apropriado neste mês da Campanha Outubro Rosa, cujo objetivo é, justamente, conscientizar a população sobre a importância do rastreio do câncer de mama. Assim, quando detectado na fase inicial, garante-se, de acordo com o médico, mais de 90% de chances de cura.

O especialista faz outro aviso: o diagnóstico precoce evita o agravamento da enfermidade, tornando a terapêutica mais tolerada. “Caso contrário, o tratamento será mais sofrido, pois a paciente poderá ser submetida a cirurgias maiores, quimioterapia, enfim, terá de lançar mão de mais recursos”.

Em números

A estatística do Inca é de que um em cada três casos de câncer de mama pode ser curado, quando descoberto logo no início. Portanto, o diretor do Hospital do Câncer III ressalta a importância de não retardar a ida ao serviço de saúde.

“No ano de 2020, devido à pandemia de covid-19, o número de mamografias diminuiu bastante. É como se a doença tivesse deixado de existir. Na realidade, ela continua. Seu diagnóstico apenas foi postergado. Quem já tinha um tumor na mama saiba que ele continuou crescendo”.

De acordo com o mastologista, há uma estimativa de cerca de 66 mil novos casos anualmente no Brasil. Nos Estados Unidos, são 100 mil por ano. Segundo pesquisas do Inca, esse mal é a primeira causa de morte por câncer na população feminina em todas as regiões brasileiras, exceto na região Norte, onde o de útero ainda ocupa o primeiro lugar.

De olho nos sintomas

O câncer de mama apresenta sinais e sintomas em suas fases iniciais. Marcelo Bello explica que o indício mais comum é a existência de um nódulo. “Nem sempre, ele é muito definido. Pode ser um espessamento, algo mais irregular”.

Outro sinal são alterações na pele. “Às vezes, ela começa a ficar inchada em uma região da mama, ou quando a mulher faz um movimento com o braço, e a pele sobre o seio repuxa. Pode ser um sinal da existência de um tumor segurando-a por baixo”.

Sangramento espontâneo do mamilo, chamado de descarga papilar, também pode indicar um nódulo, orienta o médico. “A mulher deve procurar atendimento se perceber o sutiã sujo de sangue, ou a roupa de cama manchada com esse líquido”.

Mamografia de rotina

O Ministério da Saúde recomenda: mulheres entre 50 e 69 anos, assintomáticas, precisam fazer mamografia a cada dois anos, pois essa é a fase de maior incidência da doença. O rastreio, que detecta a enfermidade antes dos sintomas, é um direito garantido por lei, assegurado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“A faixa etária média é em torno de 56 anos. Mas é importante saber da possibilidade de o risco aumentar com o passar do tempo. A chance de câncer de mama vai aumentando com o avanço da idade”, observa Marcelo Bello.

O especialista reforça a importância do exame para descoberta de lesões iniciais, fáceis de tratar. “Em geral, não há retirada da mama e, às vezes, é possível evitar quimioterapia. A possibilidade de cura é grande, e a paciente não perde qualidade de vida. A função do Outubro Rosa  é alertar para isso”, observa.

Ana Sodré – membro da Sociedade de Ginecologia e Mastologia – Foto: Arquivo Pessoal

Segurança em tempos de pandemia

Na opinião da ginecologista obstetra, Ana Sodré, membro da Sociedade de Ginecologia e Mastologia do Estado do Rio de Janeiro (Sogima-RJ), a mulher não deve fugir do rastreamento, pois o risco de desenvolver a doença é pior do que se submeter ao check-up das mamas. “O medo pode levá-la a pagar um preço alto. Procure bons serviços, com boa reputação, e tudo vai transcorrer bem durante a mamografia. Algumas pacientes se queixam de ser dolorida, mas é muito rápida”.

O médico Marcelo Belo ressalta que a pandemia do novo coronavírus não pode ser impedimento para a realização do exame. “Você não vai pegar covid-19 no aparelho. Faça o exame seguindo os protocolos de proteção, usando máscaras e higienizando as mãos com álcool a 70%, sem se aglomerar. Assim, estará em segurança”.

Hábitos que afastam a doença

Marcelo Belo, diretor do Hospital do Câncer III – Foto: divulgação Inca

Sedentarismo, obesidade e má alimentação. O mastologista Marcelo Bello destaca que esses são três fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de mama. Mas ele cita, também, outra grande preocupação: o aumento do consumo de álcool.

“A cada ano, a mulher vem consumindo mais bebida alcoólica. Isso produz uma alteração metabólica que aumenta o risco da doença. Dados apontam que, de 4% a 5% dos cânceres de mama, envolvem fatores atribuídos a esse hábito. Então, dos 66 mil casos novos no Brasil, por ano, cerca de 3,3 mil podem estar relacionados à ingestão de bebida”, diz ele, destacando que a amamentação, ao contrário, aumenta a proteção contra a enfermidade.

 Alerta!

Autoexame não é diagnóstico

Segundo o diretor do Hospital do Câncer III, o autoexame das mamas não substitui a mamografia. “A recomendação é que a mulher conheça sua mama, toque sempre nela e, se perceber algo diferente, procure o ginecologista ou mastologista para avaliação”.

A médica Ana Sodré compartilha da mesma opinião. “Falta formação técnica à paciente leiga para fazer diagnóstico precoce, porque um nódulo só pode ser apalpado acima de 1cm. Dessa forma, é importante a mulher conhecer seu corpo, mas não confiar apenas no autoexame. Não se pode esperar o nódulo aparecer para procurar o profissional de saúde”.

Diagnóstico a tempo

Foi mediante um rastreio, há oito anos, que Vilma de Souza Furtado descobriu um câncer de mama em fase inicial. “Sempre fiz mamografia anualmente. E um dos exames acusou um agressivo nódulo no seio”.

Então, ela foi encaminhada para o tratamento no Inca, pois a enfermidade já tinha se alastrado para a axila. “Em nenhum momento, eu me desesperei. Confiei no meu Deus. E agradeço a Ele por ter me mostrado a doença logo no início”.

Vilma fez a retirada da mama e quimioterapia. “Os médicos falaram que era um câncer agressivo, mas Deus me curou. Fiquei firme com Jesus, e Ele me colocou de pé durante o tratamento. Ia careca à Igreja Internacional da Graça de Deus em Belford Roxo 2 (RJ), buscar pela minha saúde. Os obreiros também se dirigiam à minha casa, a fim de orar comigo. Recebi muito apoio do pastor. Na minha última quimio, eu me ajoelhei nas escadas e falei: ‘Para honra e glória do Senhor, nunca mais vou pisar neste hospital!’. E isso aconteceu”.

Vilma está curada – Foto: Rodrigo di Castro

A origem da campanha

O Outubro Rosa teve início nos Estados Unidos, em 1990, com a iniciativa da Fundação Susan G. Komen for The Cure, que realizou várias ações de combate à doença.

Depois de alguns anos, o Congresso Nacional daquele país determinou outubro como o mês nacional de prevenção do câncer de mama. Esse movimento foi abraçado por várias nações, como o Brasil, em 2002. O laço rosa simboliza a luta contra a enfermidade.


1 Comment

  1. Luana Oliveira disse:

    Informação a este nível nunca é de mais. O dano à mulher vítima do câncer pode ser irreversível se não descoberto e tratado a tempo.

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