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Laços de amor eternos

Foto: Pixabay

Amanda Pieranti


Qual é a importância da convivência entre avós e netos? Veja relatos de quem teve a oportunidade de sofrer influência dos mais velhos na sua formação.

Você já deve ter ouvido falar que avós são a lembrança mais doce da nossa vida. E, diante da rotina agitada da maioria das pessoas, a convivência entre avós e netos tem aumentado. Muitos pais contam com esse suporte na criação dos filhos. Não raras as vezes, os netos chegam a serem criados pelos avós. E deixar a prole sob os cuidados deles pode trazer benefícios para a formação e desenvolvimento emocional da criança.

A avaliação é da psicóloga Flávia Freitas, formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental: “Os avós têm o papel de criar memórias afetivas que reforçam laços de amor. Esse convívio faz com que os pequenos conheçam um pouco mais sobre o passado e seu histórico familiar, compreendendo melhor quem são”.

Segundo a especialista, pessoas criadas com avós se tornam mais emotivas, pois herdam valores e virtudes morais para uma vida melhor em sociedade. “Pesquisas em Psicologia revelam que, como eles já viveram muita coisa, acabam repassando o que funcionou para eles. Ser mais sensível não significa fraqueza, e sim alguém treinado e motivado a expressar sentimentos, vencer medos, desenvolver empatia e se automotivar”, observa Flávia.

Psicóloga Flávia Freitas – Foto: Arquivo Pessoal

Ensinamentos para a vida adulta

A aquisição dessas habilidades contribui para o amadurecimento dos netos. “A convivência com indivíduos mais experientes é um aprendizado saudável. As crianças conseguem aproveitar a sabedoria dos mais velhos e, quando crescem, continuam fazendo o mesmo. Pesquisas mostram que, no mercado de trabalho, essas pessoas são mais receptivas, e os recrutadores querem colaboradores assim”, observa a psicóloga.

De acordo com Flávia, aos avós cabe ainda a reflexão sobre a existência. “Com o saldo que eles acumulam, oferecem uma visão ponderada sobre a vida e são capazes de transmitir segurança. A relação próxima com os netos confere estabilidade emocional aos pequenos”.

Assim, os avós ajudam as crianças a enfrentar e superar os problemas. “Eles conseguem transmitir tranquilidade. Por isso, os netos gostam de conversar com eles. Muitos pais perdem a paciência e falam: ‘É assim e acabou!’. Com os avós, há o acolhimento”.

A profissional destaca: a afetividade tem forte influência no desenvolvimento intelectual da criança, contribuindo para moldar sua personalidade de forma positiva. “Esses laços permitem fortalecer características, como solidariedade, autonomia e responsabilidade. Além disso, a inteligência emocional é estimulada”.

Alguns benefícios herdados pelos netos

  • As crianças gostam de ouvir histórias dos seus antepassados. E os avós sabem contá-las com riqueza de detalhes, reforçando casos familiares que são uma fonte de inspiração.
  • Os mais velhos educam com exemplos que tiveram ao longo dos anos, acolhem os pequenos diante de um problema, demonstrando como ressignificaram a situação ou viram alguém superá-la.
  • Em geral, avós são boas referências, pois costumam dormir cedo e estimulam a rotina, sendo mais responsáveis e carinhosos.
  • Eles são experientes; sabem dos perigos e das artimanhas da sociedade. Assim, auxiliam os pais na educação dos menores.

Por Flávia Freitas, psicóloga


Noranei Nunes – Foto: Rodrigo di Castro

Paciência e carinho mudaram uma trajetória

Noranei Nunes de Paula foi um apoio fundamental para a família quando a neta, Larissa Rodrigues Lotti, envolveu-se com drogas, aos 16 anos. A moça teve uma vida amorosa conturbada, resultando em dois filhos de pais diferentes.

Na ocasião, os desentendimentos da jovem com a mãe eram constantes: “Ela saía à noite e só voltava de manhã”. Sem controle da situação, a responsável recorreu à avó. “Ela me falava do quanto a minha neta estava dando trabalho e pedia oração. Coloquei o nome da menina no patrocínio do Show da Fé, pois precisava da ajuda do Senhor naquela causa”. Após o falecimento da mãe, a rebeldia piorou. “Ela queria continuar vivendo os prazeres mundanos”.

A voz da experiência

Além dos clamores, Noranei mantinha conversas sérias com Larissa. “A gente sempre teve um convívio bom. Ela me ouvia, porque eu chamava a atenção dela com carinho, sem o tom de agressividade, próprio de alguns pais. Diante daquela quadro, mostrava o quanto a amava e a orientava para o bem. Assim, ela não se sentia ofendida. Eu a ouvia pacientemente e demonstrava minha experiência, ressaltando que é preciso respeitar nossos pais, porque são nossos melhores amigos”.

Em uma ocasião, Noranei abriu seu coração para a neta. “Sentamos na cozinha, e contei-lhe tudo sobre bom comportamento. Falei da necessidade de a gente se preservar e se amar em primeiro lugar, afastando-se das ilusões oferecidas por inúmeros homens. Lembrei-lhe também do nosso compromisso com Deus”.

Larissa tem 19 anos, aceitou Jesus e reconhece a importância da avó. “Quando a gente enfrenta momentos difíceis, poucas pessoas se importam conosco. Mas ela nunca me julgou. Ao contrário, sempre me aconselhou. Com sua ajuda, superei aquela fase difícil e aprendi a depender de Deus, ter fé e jamais sair da presença dEle. Eu a amo e admiro muito. Agradeço ao Senhor pela saúde dela”.


Amanda e Vô Tonho, coração marcado pelas doces lembranças – Foto: arquivo pessoal

Na memória e no coração

Fazer esta matéria foi especial demais para mim. Recordar todo o aprendizado do meu avô materno, Antônio, que eu chamava carinhosamente de Vô Tonho, aqueceu meu coração. Ele sempre foi presente, tanto em afeto quanto em valores. Boa parte da minha infância e adolescência, morei com ele, o qual se tornou meu conselheiro e um exemplo de homem de bem. Era dono de caráter e condutas impecáveis e de uma afetuosidade típica dos avós. Era com quem eu dividia os sonhos, e ele me incentivava nos estudos e na vida. Ele amava ler minhas redações e me fazia viajar nas suas lembranças de criança e juventude, fazendo-me conhecer um pouco do nosso passado. Vô Tonho respeitava a forma como a mamãe me educava e tinha sabedoria para acrescentar à minha formação. Foi uma dádiva tê-lo comigo. Agora, ele vive eternamente no meu coração”.

Depoimento da repórter Amanda Pieranti

3 Comments

  1. Amanda Pieranti disse:

    Falar e relembrar vovô é sempre motivo de alegria, gratidão e emoção! Espero que os netos saibam aproveitar e valorizar todos os avós. É um convívio do qual sinto falta até hoje. Portanto, aproveite quem tem seus avós por perto!

  2. Waleria de Carvalho disse:

    Linda matéria. Que saudades da minha avó, Maria, com quem só convivi até aos 16 anos, quando ela partiu. ]Até hoje lembro de de seu rostinho e de sua bondade.

  3. Danielle Rangel Campos Salgado disse:

    Que matéria maravilhosa! Parabéns! Nossa, me fez lembrar de cada momento que vivi com minha avó materna. Hoje, com duas filhas, vejo o quanto elas são privilegiadas por terem vovó e vovô tão maravilhosos. Faço questão que elas brinquem demais com eles.

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